5 anos se passaram...



NO DIA 24 DE FEVEREIRO DE 2008, por volta das 21:00 eu descia do ônibus na rodoviária de Curitiba. Naquele momento eu estava falido, humilhado e fracassado. Cheguei numa cidade que eu não conhecia absolutamente nada, nem ninguém, apenas um amigo que se disponibilizou a me ajudar naquele momento difícil. Quando cheguei na rodoviária, a única promessa que consegui fazer para mim mesmo é que era vencer ou morrer, independente do que acontecesse, naquele momento eu derrubei minhas pontes e queimei meus navios. Não havia caminho de volta.
A primeira coisa que aprendi aqui foi que eu precisava desconstruir quem eu era. Aquele Julio que dividia sua vida entre capital e interior não servia mais. Era como uma camiseta que você custa a deixar de usar. Simplesmente não te serve mais. Assim, o trabalho de desconstrução foi muito mais dolorido do que eu poderia imaginar e ao mesmo tempo muito mais intenso. Passei por situações e momentos que muitos sucumbiriam.  Digo isso pelo simples fato de que se eu não o fizesse, ninguém faria por mim.
De uma completa incerteza e de um medo que beirava ao pânico, algumas coisas começaram a acontecer comigo, pessoas começavam a entrar em minha vida, e um caminho cheio de pedras e espinhos se mostrou para mim. Caminhos fáceis sempre apareciam, mas cabia a mim escolher em qual via eu seguiria, e de certa maneira, nunca gostei muito do que era fácil.
Quando cheguei, não havia nenhum objetivo, nenhuma imagem mental, nem metas, prazos ou qualquer outra coisa, era apenas um grande quadro negro. Nos últimos anos, compreendi que é possível desenhar o que quiser num quadro negro ou num quadro em branco. Comecei a rabiscar, apagar, começar de novo, melhorando e melhorando até que uma imagem clara e definida tomasse forma, e essa forma se chamava esperança.
Quando cheguei em Curitiba, não conseguiría imaginar este rumo que minha vida tomou, foi preciso um processo de cinco anos para chegar neste exato ponto. Para quem passou fome e dormiu no chão, estar prestes a terminar um MBA, pedir demissão de uma multinacional, iniciar o próprio negócio e prestes a lançar o primeiro livro, é um avanço significativo, mas isso ainda não é o mais importante. O que mais importa é quem eu me tornei, e hoje, posso dizer que tenho orgulho da pessoa que me tornei. Hoje posso dizer que estou exatamente onde queria estar, sabendo que esse é só o início de uma jornada incrível que se mostra diante de mim.
Hoje, depois de cinco anos, compreendi que eu paguei o preço para me tornar quem eu sou e vou continuar pagando o preço para me tornar a pessoa que um dia almejo ser. Quanto mais elevado é o seu desejo, mais alto é o preço a ser pago, e acredite, vale a pena.
Daqui dois dias lançarei meu primeiro livro, dois workshops e meus dois cursos, frutos de um trabalho de anos de aprendizado com os erros cometidos no passado. Essa reflexão me lembrou o seguinte ensinamento:

"O velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d'água e bebesse.
- Qual é o gosto? - perguntou o Mestre.- Ruim. - disse o jovem sem pensar duas vezes.O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse junto com ele ao lago. Os dois caminharam em silêncio, e quando chegaram lá o mestre mandou que o jovem jogasse o sal no lago. O jovem então fez como o mestre disse.Logo após o velho disse:- Beba um pouco dessa água.O jovem assim o fez e enquanto a água escorria do queixo do jovem o Mestre perguntou:- Qual é o gosto?- Bom! - o jovem disse sem pestanejar.- Você sente o gosto do sal? - perguntou o Mestre.- Não. - disse o jovem.O Mestre então sentou ao lado do jovem, pegou em suas mãos e disse:- A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos. Quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido de tudo o que está a sua volta. É dar mais valor ao que você tem em detrimento ao que ao que você perdeu. Em outras palavras: É deixar de ser copo, para tornar-se um Lago."
Minha mais profunda gratidão por todos aqueles que passaram pela minha vida, que me ajudaram e que me ensinaram algo nestes últimos cinco anos. Eu vejo vocês. Namastê!

1 comentários:

Rosemeire Vega disse...

Muito bom ler as suas memórias, infelizmente não tive o prazer de conhecer sequer um dos meus avôs. então fico paquerando os avôs alheios. Parabéns pelos relatos!!

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